A corrida pelo desenvolvimento de modelos de inteligência artificial (IA) está transformando não apenas a tecnologia, mas também a dinâmica global de consumo e emprego, afetando especialmente a geração Z (nascidos entre 1997 e 2012).
Segundo Fernando Fenolio, economista-chefe da WHG, a questão central não é se essas plataformas vão monetizar rapidamente, mas qual modelo se tornará dominante no mercado.
“Eu me preocupo zero com isso, no sentido que eu acho que o modelo de IA que for o vencedor vai ser um dos ativos, se não o ativo mais importante”, afirmou.
Continua depois da publicidade
Andrew Reider, sócio e gestor do fundo WHG Long Biased, traçou um paralelo histórico: “Há cem anos, rádio e jornal eram os meios; depois veio a televisão, e o poder mudou para quem controlava a comunicação. Hoje, a IA pode ser o novo topo do funil.”
Para Reider, à medida que modelos de IA se tornam centrais no consumo, qualquer empresa que queira alcançar clientes precisará interagir com essas plataformas.
- Veja mais: O salto da China: nova era tecnológica cresce mesmo com crise imobiliária recorde
- E também: “No público defende cortes; nos bastidores, pede isenção fiscal”, alerta gestor
A IA vai escolher suas compras por você
A adoção da IA redefine setores inteiros. “Você vai conversar com o seu modelo de IA para reservar um hotel, comprar uma passagem, e ele vai precisar ganhar algum pedágio sobre isso. Para mim, monetização é a parte mais simples; mais difícil é vencer a corrida”, disse Reider, destacando que gigantes como Microsoft (MSFT), Google/Alphabet (GOOGL) e OpenAI já enxergam essa corrida como existencial.
Fenolio complementa: “O maior risco que CEOs estão vendo é não investir o suficiente em IA. Prefiro investir US$ 200 bilhões a mais do que menos e perder a corrida.”
Impacto da IA no mercado de trabalho
No programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo, os especialistas discutiram os impactos da IA no mercado de trabalho e na economia global.
Fenolio chamou atenção para a substituição de trabalhadores por agentes de IA e robôs, ainda incipiente, mas com custos dramáticos.
Continua depois da publicidade
“Nos Estados Unidos, empregos de entrada custam, na média, US$ 36 mil por ano. Um agente de IA custa US$ 200 por mês, trabalhando 24 horas por dia. Mesmo que o OpenAI cobre US$ 1 mil por mês, o custo por hora é US$ 1,89, contra 17 dólares de uma pessoa normal”, comparou.
Segundo ele, essa diferença cria um incentivo poderoso para adoção de tecnologia, especialmente em setores que demandam trabalho cognitivo.
Vai expandir para o futuro do trabalho físico
Reider observa que a transformação deve se expandir para o trabalho físico. “Mais para frente, a parte robótica vai entrar com mais força. A grande evolução será quando o robô tiver IA e conseguir agir de forma pensativa, construindo produtos sem intervenção humana.”
Continua depois da publicidade
Para ele, a implementação dependerá da aceitação social. “Você só tem ganho de produtividade se a sociedade aceitar ter essas novas tecnologias”, afirmou.
A IA também deve impactar a política. Fenolio ressaltou que o descontentamento da geração Z em relação à economia reflete o aumento do custo de vida e a dificuldade de acesso a bens e serviços.
“Muitos jovens saem da universidade e não encontram emprego, o preço de energia e comida sobe, a habitação é cara. O American Dream está sendo questionado”, disse.
Continua depois da publicidade
Reider acrescentou que essa tensão gerará pressões políticas e legislativas.
Distribuição de riqueza e impostos serão afetados
Além disso, Fenolio chamou atenção para a distribuição de riqueza e impostos nos Estados Unidos.
“Pessoas acima de 55 anos detêm 70% da riqueza financeira americana e consomem cerca de 70% da arrecadação de impostos. O jovem diz: ‘Esse político não me representa’”, afirmou, reforçando o impacto intergeracional do mercado de trabalho e da tecnologia.
Continua depois da publicidade
A transformação tecnológica, portanto, coloca a geração Z no centro de uma discussão sobre eficiência, emprego e desigualdade, mostrando que a corrida pela IA vai muito além da tecnologia e toca diretamente o futuro econômico e político da nova geração.

